sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Vida longa ao Rei!



Hoje, 21 de setembro de 2012, é o dia que marca 65 anos de respiração pulmonar, ideias geniais e muitas páginas escritas daquele que considero o escritor com a mente mais potente dos nossos tempos e um dos maiores homens que o mundo já concebeu. Não seria exagero de minha parte - embora muitos o achem, mas poucos de fato sabem o que ele significa para mim - considerá-lo como uma das figuras que mais marcaram e transformaram minha vida. Stephen King não apenas enriqueceu o modo de se fazer literatura, ele moldou em mim mesmo o meu jeito de fazer literatura e minhas concepções enquanto leitor, também. Sem querer ser pretensioso, até porque tenho muito a evoluir enquanto escritor e ser humano (todos temos), mas minha escrita não seria a mesma coisa hoje se eu não tivesse conhecido a vida (com a qual me identifico piamente) e obra desse norte-americano nascido na região do Maine. Meu modo de narrar, meu fazer literário, meu escrever histórias amadureceu significativamente ao me deparar com o Sr. King e o que ele tem de melhor: a escrita.
Que ele recebeu há muito tempo atrás o título de "Mestre do Terror" é fato. Mas, Stephen King é muito mais que isso. Claro que suas ideias genialmente bizarras e assustadoras revolucionaram as histórias de terror de uma forma que nem Edgar Allan Poe ou H.P. Lovecraft poderiam imaginar. Claro que ele é um mestre em aterrorizar, chocar e enojar (e não se enganem: apenas assistindo às centenas de adaptações em filme das centenas de suas obras não será possível captar toda a essência e densidade cruel, poética e filosófica do universo kinguiano), mas seu trabalho vai muito além. E quem tem olhos, que veja.
A obra de King explora o absurdo do sobrenatural, mas, especialmente o absurdo da realidade da vida humana. Os monstros, o sangue e as assombrações estão presentes em suas tramas de modo original e genuíno. No entanto, elas são somente um pano de fundo para a discussão de algo muito mais assustador que qualquer demônio infernal: o ser humano. Por isso o digo: antes de ser um mestre do medo, Stephen King é uma grande romancista, que põe o dedo na ferida da alma do ser, explora nosso psicológico de forma intimista e desenterra, muitas das vezes, o que há de mais sujo e podre em nossos corações, do mesmo modo que Louis Creed enterra seus cadáveres em "O Cemitério." Mas, o mestre tão somente o faz com um único intuito: ressuscitar nossa essência em detrimento da morte do que é mau.
É o sobrenatural que leva a melhor, na maioria dos seus escritos (não espere leituras suaves e finais felizes floridos na obra do americano). O mal quase sempre triunfa sobre o bem. Pessimismo doentio? Talvez. Ou talvez seja apenas o retrato de nosso mundo doente posto através do terror. E ele o pinta de tal maneira como quem desperta alguém de um pesadelo espantoso que ninguém mais teme. Isto é: vivemos no clichê do racionalismo integral, ignorando outros eventos de força metafísica maior e, não obstante, transformamos o mundo na carnificina que é, pior que qualquer história de horror (aliás, quem diz odiar contos de terror mas assiste a telejornais, é mentiroso e hipócrita). E além de fazer o que fazemos com a humanidade, passamos inertes a isso, ignorando em um estado apático tremendo todo o mal que nos rodeia. Alheios, inertes. King parece querer nos fazer enxergar o mal, que na maior parte das vezes é triunfante e diz, provocante: "Ei, humanidade! Acorde! Vire o jogo!"
Mais que vísceras, criaturas que brotam do escuro e medos inomináveis. Stephen King é um autor universal e um homem que deve ser ouvido tal qual um profeta de outrora.

Parabéns e obrigado por existir, Stephen Edwin King!
Longa vida ao Rei!

3 comentários:

  1. É verdade; uma criatura diferenciada e extraordinária! Eu confesso que nunca fui leitor assíduo dele, nem li um romance seu de "cabo a rabo", mas pretendo re-tomar as leituras, de repente por, acho que é "O Cemitério". Vc já leu, recomenda? E parabéns a vc: pelo blog, pela literatura que já representa e pelas conquistas! É uma pena q vc não possa participar da edição deste ano, do concurso da APALCA, né??!! kkkkkkkkkkkkkkk;.... Abraço....!!

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  2. Pois bem, Jalon! "O Cemitério" é uma das obras mais virtuosas de sua autoria - inclusive foi mencionado no post. Já li e super recomendo: é um dos meus favoritos.
    Obrigado pelo prestígio, nobre amigo e escritor. Realmente uma pena eu ficar de fora do concurso este ano, devido à minha obra publicada. rs
    Mas, boa sorte para você e todos os concorrentes! Abraços!

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  3. Olá prezado amigo, bom dia!
    Com prazer e muita satisfação venho lhe comunicar de que sua apresentação no Prosas Poéticas foi ao ar. Lá vai o link:

    http://vendedordeilusao.blogspot.com.br/2012/09/prosas-poeticas-no-5-dia-apresenta.html

    Espero que lhe seja do agrado.
    Um abraço e até mais!

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